fantasia no eter

para trocar ideias sobre FC, fantasia e fantastico em todas as suas formas

Terça-feira, Agosto 03, 2004

Neste mês de Agosto, são estas as primeiras novidades dentro do género, pela mão da Editorial Presença:

A Idade do Ouro, john c. wright
Sinopse: Por muitos considerado o primeiro grande nome da literatura de ficção científica do Terceiro Milénio, Jonh C. Wright inscreve-se, pelo seu extraordinário talento, entre os melhores dentro do género. A Idade de Ouro, o seu romance de estreia, é o primeiro volume de uma trilogia que nos narra uma aventura interplanetária de magnitude épica. Num futuro muito longínquo – a 10 000 anos de distância de nós --, a humanidade domina já o tempo, o espaço e as leis da física que regem todo o Universo. Mas será esta luminosa idade de ouro tão absolutamente perfeita? Um único homem ousará desafiar este éden inexpugnável. Uma viagem fascinante a um dos muitos futuros possíveis para a humanidade, que nos impressiona pela imensa força imaginativa que a envolve.

Os Tecedores de Saramyr – Livro 1, chris wooding
Sinopse: Com a trilogia intitulada A Teia do Mundo, este autor junta-se a uma geração de renovadores de um género que remonta a Tolkien e a C. S. Lewis. Os Tecedores de Saramyr tem um colorido orientalizante, baseia-se numa sociedade rígida e fortemente hierarquizada, a própria linguagem, de natureza tonal, reflecte o estatuto social dos falantes, assim como a caracterização da sua mitologia tem algo a ver com países exóticos como a China ou o Japão. As personagens são maioritariamente humanas: os Tecedores, a casta dominante, chamaram a seu cargo eliminar eugenicamente qualquer criança que nasça com deformações ou que revele possuir poderes mágicos e que possa pôr em causa a hegemonia da sua classe. São chamados Aberrantes. Este é um romance denso, sobressaindo pela riqueza do universo como pela complexidade do enredo. Neste volume, uma guerra civil eclode devido ao facto de a Imperatriz ter como herdeira uma Aberrante, Lucia, que juntamente com Kaiku e Asara, e os seus aliados, combatem para pôr fim ao poder perverso e corrupto dos implacáveis Tecedores.

O Castelo Encantado, diana wynne jones
Sinopse: Um clássico da ficção juvenil, este livro conta a história de Cat e Gwendolen que ficaram órfãos de pai e mãe. Cat admira muito a sua irmã, não só porque ela é uma graciosa bruxinha, mas porque arranja sempre maneira de saírem de situações embaraçosas. O seu talento é tão notável que já está a iniciar um curso de Magia Superior. Um adivinho augurou mesmo que ela viria a ser famosa e dominaria o mundo. E Cat? Ele está convencido de que, ao contrário da irmã, não tem jeito nenhum para encantamentos. Até que um dia um homem alto e extraordinariamente bem vestido, com um chapéu preto tão brilhante como as botas, veio buscá-los e levou-os consigo para viverem num magnífico e misterioso Castelo… Mas aí, as coisas não correm como eles pensavam, e cada um dos irmãos vai ter surpresas inacreditáveis!…

As Crónicas de Nárnia: A Última Batalha, c. s. lewis
Sinopse: Eis-nos chegados ao último volume d’ As Crónicas de Nárnia, onde a aventura atinge níveis nunca antes imaginados. Um perigo iminente paira sobre este reino maravilhoso na forma de um falso Aslan que está a transformar Nárnia num terrível inferno. Mas de onde surgiu e quem é aquele leão impostor? Segundo o centauro de barba dourada, um grande conhecedor dos astros, as estrelas não anunciaram o regresso de Aslan para aquela altura. Mas, então, como é que vários narnianos afirmam a pés juntos tê-lo avistado? Com Jill e Eustace a seu lado, o rei Tírian, o nobre unicórnio Jewel e alguns súbditos leais enfrentam o inimigo numa batalha final que irá determinar o futuro de Nárnia. E embora seja chegada a hora de nos despedirmos desta obra extraordinária, a verdade é que, apesar das saudades que já sentimos, também nos divertimos muito com esta última narrativa da série.

Em breve uma análise mais aprofundada sobre A Idade do Ouro e sobre O Castelo encantado.


(comentários, críticas, sugestões: fantasianoeter@hotmail.com)


posted by Luís  # 6:25 PM (0) comments
Depois de quinze dias de sol, praia, e dedicação total, absoluta e quase exclusiva ao rebento, regresso ao mundo real, trazendo muita saudade da água e das brincadeiras na relva.

No que diz respeito a FC/F, comecei o TOMMYKNOCKERS do Stephen King e nem sequer consegui chegar a meio, o que é bom, pois significa que consegui passar quase todo o tempo acordado com o meu filho.

Visitei a Feira do Livro de Vilamoura, mas trouxe pouca coisa, apenas três livros para mim, e um para o pequeno. Foram eles dois números de uma colecção intitulada OS CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA, pequenos livros infantis sobre a mitologia Arturiana, com texto de Graciela Montes e ilustrações de Mikel Valverde. Trouxe ARTUR, O DONO DA ESPADA ("Começam aqui as aventuras de Artur: como se torna rei e os torneios em que participa, vencendo gigantes e lutando sempre em nome da justiça") e O MAGO MERLIM ("O mago Merlim começou, desde muito cedo, a mostrar os seus poderes e a sua sabedoria. nesta aventura, a luta de dois grandes dragões entre si irá contribuir para mudar o destino de Inglaterra."). Edição em capa dura da Campo das Letras, a colacção inclui ainda os títulos Tristão e Isolda; A Filha do Rei; Lanzarote, o cavaleiro enamorado; O Cavaleiro do Leão; Percival e o Cavaleiro Vermelho; e O Mistério do Santo Graal.

O outro foi ANJOS, DEMÓNIOS E DJINS e outras criaturas pouco recomendáveis, de Alix Saint-Adré. Do texto de contra-capa:
“Onde se aprende em que circunstâncias Jacob, Maria e depois Maomé encontram um anjo e as consequências que daí resultam para toda a humanidade. Onde se descobrem os elos que unem judeus, cristãos e muçulmanos, assim como as suas razões para se hostilizarem. Onde se constata, com alegria, que os anjos lhes são comuns e não fazem parte do contencioso. Onde se responde às questões básicas sobre os anjos como a idade, a quantidade, a língua e a alimentação. Onde se pode imaginar o tamanho de Deus e outras maravilhas. Onde se conta a história do anjo mau que seduziu Eva e a forma como o fez. Onde se desvenda a origem do seu conflito com Deus e do seu ódio aos homens. Onde nos familiarizamos com djins, demónios e algumas outras criaturas pouco recomendáveis. Onde nos interessamos pelo percurso dos grandes anjos Miguel e Gabriel no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. Onde seguimos Maomé no seu jumento alado.”

A autora é jornalista e “este livro é resultado da única investigação existente sobre os anjos nas religiões monoteístas.”

Comentários a estes livros em breve.


(comentários, críticas, sugestões: fantasianoeter@hotmail.com)


posted by Luís  # 12:22 PM (0) comments

Quarta-feira, Julho 14, 2004

Herdeiro de Kafka

Por vezes descobrem-se coisas interessantes. À procura de algo diferente para ler, encontrei numa das prateleiras da estante um livro já com uns anitos, que nunca me tinha chamado a atenção. Último número de uma colecção publicada pelo DN, só de autores portugueses, marcou-me pela positiva, ao descobrir no meio de poesia e romances um pouco enfadonhos um belo exemplar da literatura fantástica.

A Escada, de Carlos Gouveia e Melo, é um digno herdeiro de Kafka, enquadrando-se no absurdo e na sátira social que caracterizam o autor de língua alemã.

Sérgio Louro, vendedor de arcas frigoríficas para a empresa Tudo e Nada, Lda., que mora numa pensão, acorda um dia e dirige-se para o trabalho, acabando por descobrir que a escada que leva à rua cresceu icomensuravelmente, sendo uma tarefa titânica chegar à dita rua, quimera impossível em que a luz do dia e o ar livre se transformam no Graal almejado.
Após algumas peripécias e o cruzar com personagens caricatas, Louro acaba por chegar à tão desejada rua. Mas as coisas não ficam por aqui, bem pelo contrário...

Vencedor do Prémio Revelação de Ficção, A Escada foi originalmente editado pela Difel, em 1998, sendo alvo desta reedição em 2001. ao longo da história deparamos com influências de, e referências a, nomes da literatura fantástica, como Kafka (a trama reminiscente d'A Metamorfose, o homem comum que acorda mergulhado numa situação bizarra, com cheiro a O Processo e toda a burocracia que sufoca o herói), George Orwell (o olho que tudo observa) e até mesmo K. Dick (com as máquinas com vida muito própria e a boneca virtual que oferece prazer e amor, a par de um sentido de humor que travessa toda a narrativa).
A novela não é perfeita, mas é cativante, servindo de óptima leitura para descontrair.
posted by Luís  # 12:18 PM (1) comments

Terça-feira, Março 30, 2004

Nem só de Harry Potter vive o homem…




Antes de J. K. Rowling criar o fenómeno editorial que é Harry Potter, já a literatura infanto-juvenil tinha pequenos mágicos que pululavam por este e outros mundos. Um dos melhores exemplos é a série THE WORLDS OF CHRESTOMANCI, de Diana Wynne Jones. Iniciada nos finais da década de 1970, a série conta com vários títulos, entre eles CHARMED LIFE, THA MAGICIANS OF CAPRONA, WITCH WEEK, THE LIVES OF CHRISTOPHER CHANT e MIXED MAGICS. Como o nome da série indica, a acção das várias histórias decorre em vários mundos alternativos, que têm como denominador comum a coexistência mais ou menos pacífica entre pessoas normais e pessoas com dons mágicos (isto lembra qualquer coisa…). Chrestomanci é um título, um cargo desempenhado por um encantador, que regula toda a magia dos vários mundos.

Com uma linguagem simples e com ilustrações interessantes, a série cativa pela leveza e ingenuidade com que o tema da magia é tratado, sendo cada volume sempre original (ou seja, não se repete uma fórmula que poderia acabar por tornar-se repetitiva) e apresentando personagens diferentes.

Para quem gosta do tema, para os fãs de Harry Potter, para quem já está farto de Harry Potter, ou simplesmente para quem gosta de uma boa história onde a magia está sempre presente. Em breve em Portugal.




(comentários, críticas, sugestões: fantasianoeter@hotmail.com)


posted by Luís  # 3:43 PM (0) comments

Quarta-feira, Março 10, 2004

Encontros Literários


Irá decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de 3 a 7 de Maio, um encontro literário, dedicado ao tema da FC e da Fantasia. Este Encontro será constituído por palestras, mesas-redondas, demonstrações de jogos de personagem (RPGs) e tabuleiro, leitura de textos por autores nacionais e um ciclo de cinema. Estão a ser planeadas outras actividades, que serão divulgadas oportunamente. Estão abertas também as inscrições para a participação na palestra. Mais informações no site: www.encontroliterario.web.pt.
É bom ver que a FLUL, durante tantos anos tão retrógrada e conservadora (no mau sentido) abre as portas para um evento deste género. Sendo antigo aluno desta faculdade, e tendo deixado bons amigos e excelentes recordações, sinto um prazer enorme em ver que a FLUL, graças ao apoio do Departamento de Anglísticos, se presta a receber a FC&F. Vamos ver no que isto dá, e esperemos que não fique por aqui. Estarei por lá. Vá também apoiar este género que bem precisa.
Bem haja o Rogério Ribeiro do Dragão Quântico e das Brigadas FC (bem como Safa Dib e Nuno Lopes) pela força e empenho demonstrado na divulgação da FC em Portugal.




(comentários, críticas, sugestões: fantasianoeter@hotmail.com)





posted by Luís  # 1:21 PM (0) comments

Domingo, Março 07, 2004

FADAS PÓS-MODERNAS



Finalmente consegui voltar a ler por prazer. Claro que, após algum tempo de inactividade intelectual deste género, o regresso tem de ser soft. Aproveitei, então, para ler o segundo volume de uma série em curso na colecção “Minoria Absoluta”, da Dom Quixote, uma colecção de livros destinados (principalmente) a um público adolescente.
Eoin Colfer é o autor, e Artemis fowl é o personagem, um adolescente, génio do crime e milionário, que vai dar muito que fazer ao povo das fadas.


Publicados originalmente em 2001 e 2002, respectivamente, ARTEMIS FOWL: O OURO DAS FADAS e ARTEMIS FOWL: INCIDENTE NO ÁRCTICO, são duas histórias de aventura, onde a tecnologia avançada e a fantasia se encontram habilmente entrelaçadas. Se, inicialmente, este personagem não passava de uma tentativa de resposta ao sucesso de HARRY POTTER, com o segundo volume esquecemos um pouco a competição que eventualmente fora prevista. Fowl ganha vida própria e até agradecemos que tenha surgido um contraponto à bondade branquinha de Potter, com a personalidade mais em tons de cinzento de Fowl.

A acção das histórias passa-se nos nossos dias, mas numa realidade em que o Povo das Fadas teve de se refugiar no subsolo, fugindo do Povo da Lama, vulgo humanos. Mas desenganem-se os que esperam um tom quase medieval, em que a magia e o regresso às tradições antigas são o prato forte. Estas fadas são duras de roer, possuem uma tecnologia extremamente avançada (bem mais do que a humana) e não gostam que se intrometam nos seus assuntos. Existem seres para todos os gostos, que vão dos goblins reptilíneos e idiotas e dos trolls assustadores e brutos aos centauros com mau feitio e aos anões que se especializaram em roubos, passando, claro está, pelos elfos, que comandam a tecnologia e o desenvolvimento, sendo, por assim, dizer, os líderes desta sociedade.

Artemis Fowl é adolescente, tem doze anos no primeiro livro e treze no segundo, um génio criminoso de um QI altíssimo, que busca o seu pai desaparecido, um importante criminoso que vinha a tentar entrar no mundo dos negócios legais. O enredo secundário que é o desaparecimento do pai acaba por dar o mote para as duas aventuras, tendo um peso mais importante em INCIDENTE NO ÁRCTICO. No primeiro livro, Fowl descobre o Livro das Fadas, e engendra um plano para conseguir o Ouro das Fadas, entrando em conflito directo com agentes da LEPRecon, uma espécie de força policial extremamente desenvolvida tecnicamente, que protege e controla o Povo das Fadas. No segundo livro, é o Povo das Fadas que vai pedir ajuda a Fowl, sendo o pagamento o auxílio no resgate de seu pai.

Destinado principalmente a um público adolescente (como referido anteriormente), as aventuras de Artemis Fowl são um bom entretenimento para quem gosta de fantasia e fantástico. A linguagem é simples e objectiva e a acção é contínua, servindo para distrair a mente dos problemas do dia a dia, mesmo que não seja o melhor dos alimentos para a alma. A tradução apresenta algumas falhas a espaços (battery não é bateria, mas sim “pilha”, especialmente quando se menciona o formato AA), não impossibilitando, contudo uma leitura escorreita. A revisão é que poderia estar bastante melhor, especialmente por se esquecerem, por exemplo, de marcar o fim, ou o recomeço, da fala de uma personagem.

De zero a cinco, merece um três, devido, especialmente, à boa-disposição com que nos deixa.

ARTEMIS FOWL: O OURO DAS FADAS (t.o.: Artemis Fowl; trad.: Maria Eduarda Colares), Lisboa, Dom Quixote, 2002 (2001). 258pp.. Colecção Minoria Absoluta, nº 25.
ARTEMIS FOWL: INCIDENTE NO ÁRCTICO (t.o.: The Arctic Incident; trad.: Maria Eduarda Colares), Lisboa, Dom Quixote, 2003 (2002). 276pp.. Colecção Minoria Absoluta, nº 29.




(comentários, críticas, sugestões: fantasianoeter@hotmail.com)



posted by Luís  # 12:59 PM (0) comments
Finalmente regressa o FANTASIA NO ÉTER, depois de alguns meses de inactividade devido a mudanças, trabalho e, acima de tudo, à falta de uma linha telefónica... Agora é de vez e projectos não faltam, incluindo novos colaboradores e, possivelmente, uma edição em formato newsletter, lá mais para a frente, com artigos mais aprofundados e, espera-se, a publicação de ficção.
posted by Luís  # 12:57 PM (0) comments

Terça-feira, Outubro 28, 2003

Tradutor, traidor?


A tradução em Portugal é um caso complicado. As traduções podiam ser melhores, em muitos casos, e isso deve-se, normalmente, a serem mal pagas e a terem prazos muito apertados. Não quero, contudo, generalizar. Existem ainda honrosas excepções, em que não se recebe muito mal e em que podemos estabelecer os nossos próprios prazos. Desde há muito tempo que a FC, e o fantástico em geral, sofrem com essa situação. Ainda bem que, com o recente renovar do interesse pelo género, a situação se tem vindo a alterar.

Mas o assunto que me leva a escrever é outro. Como tradutor, principalmente, de FC, debato-me, por vezes, com um problema: O que fazer com certas expressões e com alguns dos nomes?

A FC tem um público alvo específico. Quem lê este género literário, normalmente, já tem um conhecimento de parte dos termos empregues. Assim sendo, o que fazer? Traduzir/adaptar esses termos, tornando-os perceptíveis para aqueles que não estão por dentro desse tipo de expressão, embora correndo o risco de deixar o texto com um certo tom forçado? Deixá-los no original (regra geral a palavra anglo-saxónica), recorrendo a uma nota para explicar o seu significado? Ou, pura e simplesmente, manter o original e deixar que quem não o perceba vá procurar significados (raro) ou que perca o interesse pelo género (comum)?

Resolvi enveredar pelo segundo caminho. O original no corpo do texto e uma nota de rodapé pareceu-me o mais acertado para agradar a gregos e a troianos (embora as editoras não gostem das notas em literatura). Tomemos como exemplo um termo do mundo da informática. Todos nós, hoje em dia, sabemos o significado de “hardware” e de “software”. E “wetware”? Talvez nem todos compreendamos o que é isso. Esta foi a primeira vez que tive de optar. Surgiu em SCHISMATRIX, de Bruce Sterling, e o meu primeiro impulso foi traduzir o termo como “material orgânico”, ou coisa semelhante. Mas o sentido da palavra vai mais longe do que isso, e acabei por deixar ficar o original, socorrendo-me de uma nota para explicar o significado. Outro caso é a palavra “hacker” (pirata informático soa tão aportuguesado). Em IDLEWILD, de Nick Sagan, surge várias vezes, e mesmo em Portugal nunca veríamos jovens de 17 ou 18 anos a dizer “pirata informático”. Desta vez ficou em inglês no texto e não recorri a notas.

Estes são apenas dois exemplos dos muitos que vão surgindo, e as expressões deste género nem são o mais controverso. O grande problema tem a ver com os nomes. Na literatura em geral, os nomes, por vezes, querem dizer muita coisa. E se não for apresentado o seu significado, poderá perder-se uma grande carga irónica, satírica, ou simplesmente informativa. Em OS TRÊS ESTIGMAS DE PALMER ELDRITCH, de Philip K. Dick, resolvi aportuguesar o texto. A “Perky Pat”, por exemplo, passou a “Maria Atrevida”, e as drogas “Can-D” e “Chew-Z”, passaram a “Do-C” e a “U-Melhor”. Uma crítica publicada no jornal PÚBLICO dizia que as opções de aportuguesamento escolhidas pelo tradutor (eu próprio) nem sempre tinham sido as mais elegantes. Mas esse é um risco que se corre. Mas creio que consegui transmitir, pelo menos, parte da fortíssima carga satírica depositada pelo autor neste excelente romance. Gosto de pensar que sim. (Se não o consegui, mea culpa, e, como já disse algures, os erros vão sendo corrigidos com o tempo.)

Enfim, estes são apenas alguns exemplos dos muitos problemas que surgem a um tradutor de FC. Muito mais haveria para dizer, mas a escrita já vai longa. Quem sabe mais tarde voltarei a este tema.

(comentários: fantasianoeter@hotmail.com)
(a ler: The Witching Hour, de Anne Rice)
(a traduzir: Idlewild, de Nick Sagan)


posted by Luís  # 11:24 PM (0) comments

Sexta-feira, Outubro 24, 2003

Harry Potter e o sucesso do fantástico

Faltam poucas horas para o lançamento (mediático, como convém), do quinto volume das aventuras do jovem Harry Potter. A ORDEM DA FÉNIX é o mais extenso dos livros, e sobre ele muito já foi dito e muito mais tinta irá ainda ser gasta nos próximos dias.

Goste-se ou não (e confesso que até achei interessantes as primeiras histórias), a verdade é que o estrondoso sucesso permitiu uma espécie de renascer do gosto pelo género fantástico em Portugal, o que levou ao surgimento de algumas novas colecções, onde se incluem nomes portugueses. Também as versões cinematográficas de O SENHOR DOS ANÉIS (espantosa, digo eu) e os novos episódios de A GUERRA DAS ESTRELAS (pois) ajudaram a consolidar este interesse renovado pela FC e pelo fantástico, o que só prova que o mediatismo é essencial para que algo exista.

Bons ou maus, são estes produtos que abrem caminho a outros títulos, regra geral bastante interessantes, e que de outra forma nunca veriam a luz do dia no nosso país. Bem hajam, por isso, os Harry Potters deste mundo, e que emigrem para este cantinho (com conta peso e medida, por favor, pois o excesso de oferta também acaba por ser prejudicial, causando a saturação do público), que bem falta fazem a estes géneros por vezes tão desprezados.

(comentários: fantasianoeter@hotmail.com)
(a ler: The Witching Hour, de Anne Rice)
(a traduzir: Idlewild, de Nick Sagan)

posted by Luís  # 10:16 AM (0) comments
I’m going slightly mad...

A MAD é uma instituição. A revista, a série de televisão, as edições especiais, as reedições, tudo contribui para o culto existente em redor deste ícone do humor tresloucado, alucinado, insano. Considerada excelente por uns (alguns) e inane por outros (muitos), o que é certo é que já existe desde há décadas, sucedendo-se as edições em várias línguas.

O mais recente número da versão brasileira, totalmente a cores (caso raro na revista), satiriza o HOMEM-ARANHA de Sam Raimi e a GUERRA DAS ESTRELAS EPISÓDIO 2 – O ATAQUE DOS CLONES de George Lucas. Excelente.

Vale também a pena acompanhar ocasionalmente a série de televisão transmitida entre nós pela SIC RADICAL.

(comentários: fantasianoeter@hotmail.com)
(a ler: The Witching Hour, de Anne Rice)
(a traduzir: Idlewild, de Nick Sagan)

posted by Luís  # 10:14 AM (0) comments

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