A Criança E O Adulto
A Editorial Presença publicou, há alguns dias, A Voz dos Mortos, de Orson Scott Card (Speaker for the Dead, no original). Este título é a continuação, por assim dizer, de O Jogo Final (Ender’s Game). Pouco ou nada conhecido em Portugal, Card até é um bom autor (estes dois títulos receberam os prémios Hugo e Nébula), comparado por alguns a Stephen King (salvaguardando as devidas diferenças), na medida em que é um excelente contador de histórias.
Em O Jogo Final é-nos contada a história do jovem Ender, uma criança genial, que acaba por ficar com o destino do mundo nas mãos. O “jogo final” a que o título se refere elimina a ameaça insectóide que paira sobre a Terra. Em A Voz dos Mortos, Ender é já um adulto que, chamado a um planeta distante para falar pelas vítimas de uma nova raça alienígena, os Pequeninos, acaba por se redimir do “xenocídio” que cometera, dando um novo lar à última sobrevivente dos insectóides.
Ambas as obras têm uma profundidade humana que vai além do contacto entre humanos e alienígenas, fazendo-nos pensar sobre a relação entre o eu e o outro, o estranho, o desconhecido.
Sinto uma certa nostalgia em relação a O Jogo Final, pois foi o primeiro livro de FC que traduzi. Podia estar melhor, mas os erros vão sendo corrigidos ao longo do tempo.
A saga de Ender continua em mais dois títulos (Xenocide e Children of the Mind) e também existem três títulos que narram histórias paralelas sobre os camaradas de Ender na Escola de Guerra.
É uma leitura interessante, que recomendo vivamente.
Só à laia de curiosidade: a partir de A Voz dos Mortos, inclusive, a acção decorre no planeta Lusitânia, uma colónia brasileira, onde o português é, a par do inglês (ou stark, como é chamada neste universo), a língua oficial.
(comentários: fantasianoeter@hotmail.com)
(a ler: The Witching Hour, de Anne Rice)
(a traduzir: Idlewild, de Nick Sagan)